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sexta-feira, 26 de março de 2010

Esquecimentos...

A história se repete; todos sabemos. Até ai, nada a lamentar, a não ser  a dolorosa suspeita de que somos mesmo obtusos e que, esse teatro que a vida pacientemente gira, em ciranda sem fim, tem como finalidade insistir nas lições nunca aprendidas. Vejo agora o PSDB, PT, PV e outros, a se degladiarem na luta que antecede as eleições de NOV. É a esquerda autofágica, como sempre o foi. Só  não vai perder as eleições, porque a direita está esfacelada. Nunca teve representante digno e, dificilmente terá, a prevalecer a mentalidade coronelista da elite brasileira. Seja qual for o ângulo pelo qual se pretenda analisá-la - honestidade ou, ideologia - a direita brasileira sempre foi um partido de oportunistas, na mais caridosa das definições ou, de canalhas, na que mais se avizinha da verdade. Uma constatação triste: Depois de pontuais decepções com o governo Lula, não tem mais validade o pensamento de que, as facções de esquerda lutam entre si, por causa de filigranas ideológicas. Seus membros rivalizam em canalhice, a altura e com louvor, a qualquer outra quadrilha, das piores que campeiam pelo Brasil. Então, fato; a luta fratricida em que se envolvem, tem como razões o desmedido apego ao poder e, a burrice política, nesta ordem. Lula, literalmente, abraçou Collor, numa demonstração de falta de dignidade desnecessária e absurda. Alguém dirá: Foi só um abraço.  Collor não é uma prostituta, para que se possa relevar o gesto do presidente, a exemplo do que ocorreu com Itamar. Lula defendeu Sarney com suspeito entusiasmo. Oras, Sarney não é um Darly Alves da Silva para o qual, em extremado gesto de insanidade, possa se discutir a remota possibilidade de  indulto. Ambos, são responsáveis por páginas medonhas de nossa história recente. Não bastassem as trapalhadas internas, lá esta Lula, a confraternizar com Fidel, ao mesmo tempo em que, covardemente, vira as costas para antigos companheiros de infortúnio; estes sim, dignos de serem chamados "companheiros", a considerar a semelhança entre o passado de Luis  Ignácio e, por exemplo, o prisioneiro político cubano Orlando Zapata Tamayo, morto em Fevereiro, entre outros tantos mortos e, a morrer em Cuba. Somar-se-á a esta trapalhada, a visita ao Irã, em Maio próximo. Lula deveria compreender que, pragmatismo e dignidade tem significado e aplicações diferentes.É nesse contexto que torna-se incompreensível as críticas ofensivas partidas da esquerda, ao governador Serra, um democrata genuíno. Serra pode ser criticado, como qualquer outro personagem público. Faz sentido discordar-se das medidas que adotou, principalmente com relação a Educação. Mas, deve-se parar por ai. A preparação acadêmica e democrática de Serra, estão acima de qualquer critica. Ponto. Aos petistas, é de justiça admitir que Lula é, no mínimo, uma surpresa. Acho que muita gente bem informada, esperava de Lula uma administração caótica que, talvez, conduzisse o pais a novo impasse, a la Goulart. Nada disso aconteceu. Lula esta administrando dentro de princípios absolutamente ortodoxos, inclusive no que diz respeito a escândalos e improbidades. Vai ficar na história, para o bem ou, para o mal. Será lembrado por ter conduzido, com sucesso, o pais em tempos de grandes dificuldades econômicas; mundiais dificuldades. Também, não será esquecido pelo descaso universal a Educação e, pela falta de sensibilidade diante da Insegurança que varre o pais e, por banalizar o desrespeito aos direitos humanos nas "democracias" cubana e iraniana. Por fim, será inesquecível a sua "ingenuidade" perante mensalões e, cuecões. Quanto a falta de dignidade e respeito ao cargo que ocupa e, a autoridade que representa, ao não saber manter distancia de figuras condenadas pela justiça ou, por condenar; tudo bem. Ao final das contas, somos bonzinhos e, desmemoriados. Já esquecemos que Serra, um dia, foi exilado por defender a democracia e lutar contra a ditadura militar .Assim, da mesma maneira, esquecemos que Collor foi condenado por formação de quadrilha e bando. Esquecemos seus desmandos na administração do pais. Já esquecemos que Sarney apoiou a ditadura que infelicitou o pais e, recentemente escapou de varias acusações de corrupção na Fazenda Maranhão, graças ao apoio de Lula. E, de tanto esquece-los, acabamos esquecidos...

terça-feira, 23 de março de 2010

O passado; essa divindade de todos nós...

Marquez explica ser uma tendência humana, natural, esquecer os acontecimentos ruins, como forma de poder conviver com o passado. Deve ser verdade. Para ajudar na questão, tenho certeza de que, em futuro não distante, irão inventar uma geringonça eletrônica  que nos permitirá sentarmos no sofá e, assistirmos o replay de nossos dias já vividos. É claro que o aparelho deverá ter controles que permitam selecionar o programa, de acordo com a audiência. Não é difícil imaginar o embaraço que certas cenas irão causar... Indiscrições  a parte, tal aparelho seria extremamente útil, entre outras aplicações, no combate a repetição de erros pregressos. Também, não permitiria o esquecimento natural dos acontecimentos nefastos a que se refere Marquez e que, em minha suburbana opinião, colabora para esta veneração cega, quase fanática, ao Passado, este deus morto de nossas vidas. Esquecemos que o "saudoso passado" é, - nada mais - o presente que ora vivemos, vencido pelo relógio. Das poucas certezas que temos na vida, uma é a de que viremos a ser parte do passado. Quanto ao futuro, não há garantias. Numa contradição absurda, batalhamos diuturnamente para dele sermos participantes, apesar de toda nossa adoração ao passado. É nesta dicotomia que, boa parte de nossas vidas se esvai e, nossa atenção distrai do estimável e essencial para  a existência. Proponho que voltemos nossos olhos ao futuro, lugar onde tudo é possível. Que o passado fique lá; esse museu  - ou cemitério - de nossas batalhas, coletivas e pessoais, nossas experiências, tristes e felizes; boas e ruins. É bom lembrar que, não vamos a museus, muito menos a cemitérios, todos os dias de nossas vidas. Assim, também não é de bom juízo visitarmos nosso passado, em demasia.
Antes que me esqueça; o tal aparelho de play back seria de utilidade ímpar na seleção de candidatos a cargos públicos. Substituiria com larga vantagem o Atestado de Idoneidade. Tenho certeza de que, o cidadão de passado escuso, não se submeteria ao escrutínio da infernal invenção, sabendo que, na "audiência", a assistir seus enganos e acertos, antigos e atuais, estariam um juiz do TSE e, um delegado federal. Do lado de fora, um camburão pronto para transportar eventuais "reprovados". Tais testes de idoneidade, poderiam, inclusive, ser televisionados. Seria uma versão do BBB, de indiscutível validade para a edificação moral da sociedade e, purificação dos quadros políticos do Estado. Recupere-se a moralidade ou, instaure-se a Anarquia como forma de governo, por pura e simples ausência de candidaturas que preencham os quesitos mínimos de decência e honestidade. Esta aí a proposta... Agora, precisamos do Personal Memory Player!

domingo, 21 de março de 2010

BBB - Big Brother Bonifacio...

José Bonifácio de Oliveira “Boninho” concedeu entrevista a Folha. Falou do programa Big Brother Brasil, do qual é diretor. Extraí da entrevista, algumas declarações de Boninho. Declarações que constituem um verdadeiro alerta para a solerte sociedade brasileira, sempre exigente quando se trata de selecionar o que a televisão irá trazer para dentro de seus lares. A ver:
“A televisão brasileira é muito poderosa, a penetração da TV na população é muito forte, então, há uma geração que já nasceu assistindo a esse programa e se preparando para participar dele.”
Boninho faz abaixo uma constatação grave. O futuro, a depender das novas gerações – e depende! – não é nada animador. Confira:
"BIG BROTHER não é cultura, não é um programa que propõe debates. É um jogo cruel, em que o público decide quem sai. Ele dá o poder de o cara que está em casa ir matando pessoas, cortando cabeças.”
Que ninguém se diga enganado. É tocante a sinceridade de Bonifácio. A única dúvida; inquietante dúvida: Estaria Bonifácio praticando a virtude da sinceridade ou, fala o que vem a cabeça, sem reservas, confiando no alto grau de imbecilidade de quem o ouve/lê? Julgue você mesmo:

“Você tem um melhor amigo na casa, mas ele é o seu maior inimigo. Ele está competindo com você. Só um dos dois vai ficar com o dinheiro. É muito cruel. A gente quer sempre provocar o pior neles, nunca o melhor.”
Aqui, o entrevistado, pedagógicamente, explica os sofisticados métodos utilizados no programa. De novo, impressiona a sinceridade:
"O Big Brother, para a minha equipe de seleção, não é um jogo de experiência científica, é só um jogo. Não nos afeta, não nos chama a atenção a hora em que o cara fica acuado ou fica psicológicamente afetado por alguma coisa e pode virar um monstro.”
Claro, é só uma brincadeirinha... Entenda as regras:

“Só penso no sucesso do jogo. Tem alguns que me ligam, de quem sou amigo. Mas digo sempre: quando vejo um "big brother", atravesso a rua. Não é maldade. Mas é que não me apego. Eu os encaro como peças de um produto, de um jogo.”
Quanta sensibilidade. Emociona o alto grau de humanidade do entrevistado. Fica evidente a confiança que Boninho deposita na capacidade bossalizante da Televisão.  Não há a menor preocupação quanto ao impacto das declarações. Confira o plano:
”Queremos dividir os participantes por regiões. Podemos ter pequenos "BBBs" em cada região e, depois, trazê-los para a casa nova. Seriam cinco casas com seis pessoas, de onde sairiam os finalistas. Entre o final de dezembro e o começo de janeiro, teríamos um micro-"Big Brother" para cada região.”
Aí. está, bem definida, a estratégia de ocupação total; Oiapoque ao Chuí... Está nas entrelinhas que Boninho prevê a conquista da audiência de todos os quadrantes do planeta. O Brasil será transformado em uma imensa casa de Big Brother, para o resto do mundo aplaudir...
Boninho conta com o maciço apoio de nossas autoridades, encarregadas de desgraçar o sistema educacional do Pais, única coisa que fazem com grande competência... Afinal, tanto ele como os políticos, tem na massa ignorante a matéria-prima básica para perpetuação da Grande Senzala.
O nome dele é José Bonifácio... Já não se faz mais Bonifácios como antigamente... já tivemos melhores!

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Pixe

Cai mais um acordo de paz neste mundo já tão sem sossego. Não falo do Oriente Médio mas, sim, da cidade de São Paulo, aquela da qual tenho imensa saudade e que, desapareceu para sempre, vítima de uma horda de bárbaros que só faz crescer, em número e violência. Por favor, poupem-me do clichê de que “...cidade grande é assim mesmo”. Não tenho pelas outras cidades grandes, o mesmo interesse que tenho por São Paulo; a minha São Paulo. A única ressalva para a qual peço licença, é Cachoeiro do Itapemirim, a maior cidade do meu coração. Também, esta desapareceu para sempre, soterrada sob construções sem nenhuma graça ou beleza, erigidas pela miséria, essa grande arquiteta da maioria das cidades brasileiras.

Mas, voltemos ao rompido acordo de paz. Informa a Folha que “Um grupo de pichadores atacou, no começo desta madrugada, o painel de grafite de 680 metros na alça de acesso da 23 de Maio ao elevado Costa e Silva, na Bela Vista. O local exibe trabalhos da famosa dupla osgemeos, entre outros expoentes da street art. O mesmo trecho já havia sido atingido por agentes da prefeitura em 2008 --à época, os funcionários municipais cobriram as obras com tinta cinza por avaliar que o local era alvo de vandalismo.” 

Sempre achei bonito, elegante, o acordo tácito entre as gangs de pichadores e o pessoal da street art. Em tempos tão desonrados, esse acordo baseado no “fio-do-bigode”, ao menos para mim, tinha uma beleza de tons cavalheirescos. Em meio ao desalento que me tomava a alma ao ver o emaranhado de pichações, emocionava-me o cuidado tomado pelos pichadores em não borrar os grafites, ao desferirem seus golpes de feiúra e desolação sobre paredes, muros e, colunas de viadutos, da indefesa cidade. Alguns, arriscam a miserável vida, escalando alturas e lugares impossíveis. Infelizmente, na maioria das vezes, saem ilesos. Que não me ouçam mas, estou esperando o dia no qual a cidade passara a ter o piso das ruas e calçadas, coberto com pichações... Que os funcionários municipais tenham sido os primeiros a atacarem os grafites, vá lá. Nunca esperei que gangs, de certo modo co-irmãs, viessem a depredar estes modestos patrimônios da cidade... Pobre São Paulo!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sofismos a parte...



Anonimamente, enviaram-me e-mail informando o link para o site de Zé Dirceu... O endereço para o qual foi enviado é bloqueado e, somente mensagens de pessoas que constam da lista de endereços eletrônicos, são recebidas. O mais, vai direto para o "arquivo". Isto posto, fica fácil compreender minha angustiante dúvida: Seria o Zé Dirceu meu amigo? Se sim, como pude ser tão descuidado? Se não, estaria eu sendo vítima de hackers petistas; uma versão tupiniquim do Big Brother, provavelmente o Grande Camarada? (não, não é Mao-Tsé-Tung que, certamente tem mais o que fazer, do que invadir meu e-mail...). Por última dúvida, esta a pior, teria sido um amigo petista quem "gentilmente", à sorreita, cadastrou-me na lista de "assinantes" do site de Dirceu? Se confirmado, fica nossa amizade severamente danificada. Explico: Zé é a versão cínica de Collor de Mello. Tem como agravante o fato de que, o primeiro nunca enganou os minimamente informados, valendo-se da massa ignara para chegar ao poder. Já, Zé, travestiu-se de esquerdista intelectual; os tais que pretendem suprir a (suposta) falta de cultura dos trabalhadores e, tornar-se o ideológo do movimento "popular". Não veio a ser nem uma coisa, nem outra, além de líder do Esquema Mensalão e, réu acusado pelo ministério publico de corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato. Foi assim que, Zé também tornou-se uma decepção para a juventude dos anos 60, que recomendava "...não confiar em ninguém com mais de 30...". Li seu blog. Tergiversador, advogado por formação, utiliza-se de "chicanas" para fugir da verdade. Enfim, é deprimente ver o antigo lider estudantil, reduzido a mais um minúsculo hipócrita. Pobre diabo, não reúne dignidade mínima que seja para sair de cena e, permitir que a Nação siga buscando seu caminho; longo caminho em busca da decência e justiça, perdidas de há muito nos descaminhos e mau passos de desastrados líderes políticos, como o foi Dirceu. Ao anônimo "amigo", peço o favor de retirar meu nome da lista de "seguidores" do Zé. Fartei-me de "mestres" e "líderes". Que fiquem lá, de preferência em Cuba ou na Coréia do Norte, com suas vergonhas e indignidades.

Bosco


domingo, 7 de março de 2010

Marcas...


Ontem, depois de alguns anos, revih vc... A principio, foi o seu vulto elegante que chamou minha atencao. Conversava com um amigo, quando alguem se aproximou e, sem olhar diretamente, reparei que havia uma beleza que se sobressaia no ambiente. Era voce. Tornei a cabeca em sua direcao e, recebih seu sorriso envolto em embaraco, melancolia, tristeza, como que a se desculpar por nao ter mais a felicidade perdida nos anos de ausencia. O bom gosto no vestir, seu traco que sempre chamou minha atencao, permanece intacto. Receio eu, foi tudo o que sobreviveu de bom, quando comparo a sua delicada estampa que guardo na memoria. Soube por um amigo que voce estah divorciada. Poderia afirmar que foi esta separacao que lhe custou todas as outras perdas, a pior delas, seu sorriso de menina enamorada e, mulher satisfeita com a vida. Sei que vc tinha um lar onde viviam dois meninos loirinhos e, seu homem. Trabalhavamos na mesma empresa, eu, vc e seu marido. Uma vez, vc mostrou-me a fotografia de suas criancas, bem como o fazem as maes orgulhosas e felizes. Vc e seu marido, costumavam encontrar-se nos intervalos para almoco e descanso. Era evidente e belo, o bem querer que envolvia o relacionamento. Ver voces dois despedirem-se ao final dos intervalos, adiando ao maximo a ultima palavra, era uma mensagem de que amar e namorar o companheiro(a), ainda eh possivel. Em inumeras ocasioes, vc foi a minha "tradutora" de papeis e instrucoes de trabalho, para mim, ininteligiveis... Sei que vc sempre me achou um tipo "esquisito", talvez por eu ser estrangeiro mas, isto nunca incomodou, jah que simpatia mutua era o traco mais evidente em nossos contatos. Hoje, vih vc depois de muitos anos. Sobrevivem os tracos da beleza antiga e, os que ficaram em minha memoria e, somente eu posso ver. Continuei a conversar com o amigo. Nao fui lhe cumprimentar, pois nao saberia o que lhe dizer. Meu olhar, decerto, iria me trair ao lhe comunicar perdas graves, somente visiveis ao comparar imagens separadas por longos e, as vezes, dificeis anos. Voce ainda eh uma bela e jovem mulher, embora que triste em seu olhar desorientado. Alguem terah olhos para ver o que eh, sem comparar com o que vc um dia foi. Espero que ele lhe trate bem e que voce seja feliz pois a vida eh de fato bela...
Posted by Bosco at 4:15 PM


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

So...los Sacros...




O professor Emir envia e-mail, informando que Deus, aborrecido com a maneira desumana com a qual vem sendo adorado, resolveu adotar a Solução Final como forma de resolver, de vez, os problemas humanos e divinos. Sim, divinos, também. Afinal, fomos criados a semelhança Dele; e bom lembrá-lo. E claro que o e-mail do professor, é uma brincadeira, uma piada, e recebi-a com humor muito melhor do que quando recebia as provas de matemática, para as quais eu nunca estava preparado - é bom que se diga - entregue de carteira em carteira pelo zeloso mestre... Voltando as atribulações divinas, sem a pretensão de emitir juízo de cabimento da queixa, devo dizer que compreendo, senão as razões, as frustrações Dele. Veja lá você, rastejante peregrino humano, se não é o caso de perder as estribeiras e pedir ajuda ao Canhoto: E noticia nos jornais que, Israel está em adiantado processo para decretar incorporados ao seu território, duas localidades consideradas sagradas para judeus e muçulmanos. Sim, é isso mesmo; eles concordam em certas coisas! Trata-se da Gruta dos Patriarcas e, do Túmulo de Raquel. Judeus e muçulmanos consideram-se descendentes diretos de Abraão, via Israel e Ismael. Seria muito interessante saber o que pensam da querela sem fim, sem quartel e sem farnel, Abraão, Israel, Ismael e Raquel (gosto de uma rima!), ficando nestes quatro, para que não haja mais desentendimentos e mais guerras... Ninguém pretende negar a validade da preservação da cultura e tradição dos povos mas, os motivos para a contenda, tanto de judeus como de muçulmanos, estão a beirar o ridículo . Pretendem que o lugar seja destinado a adoração, veneração de divindades. Tudo que conseguem é jogar mais gasolina em fogo já sem rédeas... Velhos, sujos e barbudos sacerdotes de todos os credos, perambulam por entre as ruinas de um passado que, ao certo, não se sabe a quem pertence. Disputam a primazia de oferecer adoração e honras a deuses, de há muito tempo, mortos e que, se vivos em outras paragens, estão irremediavelmente surdos, posto que não atendem aos rogos de paz entre os homens. Batem, uns, a cabeça contra antigos muros, enquanto outros, descalços, barbudos e maltrapilhos, atendem convocação feita a variadas horas do dia, para que prostrem-se e misturem-se ao pó, de onde vieram. Alguns, mais afoitos pelo retorno, explodem-se em logradouros públicos, levando consigo alguns "voluntários" na viagem ao Paraíso, onde, supõem, encontrarão virgens e paz. Não compreendem que, as virgens, embora assim não durem muito, são enviadas para cá, por motivos desconhecidos. O caso é complicado e, envolve cobras e maçãs. A prudência manda que se desconfie de tais remessas, aparentemente sem razão lógica. Quanto a paz, também a temos, a cada dia mais: A paz dos cemitérios...