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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Adeus...

De quantos Adeus! é feita uma vida? Poucas coisas são tão certas de acontecer ao longo da existência, quanto a um Adeus!... São tantos os amores que se vão... de mãe, de companheira, de filhos, de amigos, de pessoas sem título algum mas, absolutamente queridas... pode variar o sabor do Adeus! mas, este é sempre mais, ou menos, amargo... 

Na longa estrada percorrida por quem um dia partiu, até que chegasse a quem o esperava, já, ali mesmo, naquela chegada, iniciou-se um dolorido Adeus! Há pessoas queridas que nunca disseram Adeus! mas, também nunca chegaram a nós, por mais as tenhamos esperado. Ficaram ali todo o tempo... víamo-las,  sabíamos de sua existência mas, nunca chegaram... Há, também, aquelas as quais nunca vimos e, em nós sempre estiveram. Nasceram de um sonho e, em melancólica reflexão, sabemos que estão em algum lugar, em algum tempo, distantes, em outra dimensão talvez. Em lampejos de razão, temos a certeza de que jamais farão parte de nossa existência ... Há pessoas que passam e, mal chegam em nosso porto. Um breve Olá! seguido de um rápido Adeus! Não há tempo para sofrimentos; não há tempo para alegrias. A vida é rápida e indolor naquele momento de pequena esperança em alguém que veio, sem avisar que partirá, assim, tão rápido como chegou... Mas há aquelas que lá sempre estiveram a nossa vista... quietas, adormecidas, latentes... um dia, despertam, brilham, iluminam nossa existência e, desaparecem na noite do esquecimento, tal como fugaz estrela cadente em noite de lua tímida... Cegados pela intensa luz que trouxeram, permanecemos imóveis,  aturdidos, sem enxergar o caminho por onde seguir... É aguardar que as águas dos dias passem e, carreguem consigo os escolhos da tormenta que se abateu sobre nossa confusa alma que busca saber o que lhe aconteceu... e viver para um novo Adeus...  o Adeus de alguém que partiu depois de longos anos de convivência, permeados de alegria, dores, contrariedadesraivas, derrotas, tristezas e vitórias... É angustiante aceitar sem maldizer a partida da qual sabíamos mas, recusavámo-nos a pensar fosse, um dia, acontecer. Ter de soltar as mãos que seguram-se no último enlace dos dedos, que se negam a permitir que se vá uma parcela de nossas vidas... São, essas pessoas, como que parte de nosso corpo, tal como uma mão, uma perna, um braço, um ôlho... estavam ali e, de repente, não estão mais! Inicia-se o duro processo de aprender a viver mutilado para sempre... Naquele momento, desaparecemos um pouco; junto com esse alguém que se foi... Se toda chegada é o alvorecer de uma existencia, é certo que morre-se um pouco a cada partida... 

Revoltar-se diante de irrevogável Adeus! é má escolha. O melhor que se faz, é aceitá-lo com abnegada renúncia e coragem. É como escolher entre um cálice de fel, ou de mel ligeiramente amargo... mel da esperança. Esperança, quem sabe vã, do reencontro... para um novo Adeus!



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