segunda-feira, 30 de abril de 2012
No surf for you...
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Nuestros Valores...
Trabalho em uma companhia cujo lema é Integridade, Companheirismo,
Dedicação e Execução. É uma tradução chinfrim e descuidada. Não afetará a
mensagem que pretendo transmitir. Três línguas permeiam meu dia a dia;
Inglês, Espanhol e Português. Trabalho em Inglês, atendo quem não
conhece as outras duas línguas em Espanhol e, converso fiado em
Português. Muitas vezes, não me lembro em que língua li isto, ou
aquilo... Passei ontem por um destes cartazes da empresa onde se lê: Our Values. Não sei porque, traduzi instantâneamente para Nuestros
Valores. Desabou em mim uma percepção de hipocrisia. Os mesmo valores,
escritos em Inglês, e que norteiam para seriedade o comportamento da
companhia, soaram malandramente sacana em Espanhol. Piorou mais, quando pensei em Português...
No mesmo dia, li noticias originadas no Brasil, registrando queixas pela pouca atenção que Obama
deu a Dilma, o que não é bem verdade, diga-se de passagem. O encontro
durou 90 minutos; o dobro do previsto no protocolo. Concedo aos magoados
brasileiros que EUA e Brasil devem ter assunto para mais de 90 minutos
de conversa mas, vamos a realidade, fator ao qual, nós brasileiros
prestamos desatenção maior do que a dedicada por Obama
a Dilma. Objetividade, praticidade e pragmatismo, permeiam a vida do
americano, em maior ou menor grau. Presidente americano é 100% isso ai,
ou então não teria chegado a esse cargo. Vale chamar a atenção de meus
conterrâneos para o fato de que o processo de eleição do presidente, é
um massacre para os padrões brasileiros. O candidato começa a disputar o
direito de disputar o cargo, dentro do próprio partido, em cada um dos
50 estados, em reuniões que, muitas vezes, lembram discussões de
condomínio residencial. A parada é duríssima, com a vida de cada
postulante ao cargo de candidato escrutinizada
ao máximo. Deslizes de comportamento sexual, matrimonial, financeiro;
tudo vem a tona e, se comprovados, não são relevados. Se tiver Valores,
chega lá. Assim foi com Reagan; ator, Carter; plantador de amendoins; Obama;
negro (somente 10% da população americana é negra), filho de queniano,
nome muçulmano (logo após o ataque as torres), ex-assistente social em
Chicago... O que quero dizer é: Quando o sujeito é eleito, há uma
enorme respeitabilidade atrás do tratamento: Mister President! Obama sabe bem das falcatruas brasileiras; do passado de guerrilheira
de Dilma, até o presente onde esta não perde oportunidade para
manifestar admiração pelos assassinos Castro. Sabe bem da nojeira que é a
política brasileira; sabe de nossa covardia que impede justiça aos
assassinos que atuaram na Revolução, sejam estes civis ou militares.
Nunca passamos nosso passado ao presente. Sabe do mensalão. Obama
sabe da corrupção que impede ao Brasil a virada final e adesão real ao
clube dos desenvolvidos. Pragmaticamente, bem ao modo americano, a Obama
só interessa negócios com o Brasil que tragam empregos e dinheiro aos
EUA. Nada de fumar charutos juntos... Nada de frases feitas... Dim dim,
senhores. Li pessoas falando dos valores dos negócios com o Brasil.
Pragmaticamente, os americanos não recusam um dólar sequer. Entretanto,
quero lembrar a esses brasileiros que, a soma do faturamento de meia
dúzia, se tanto, das dez maiores empresas americanas, é maior do que o PNB
brasileiro; ou seja, não merece mais do que 90 minutos de conversa...
Por último - e este é um conceito difícil para brasileiro entender, já
que contraditório -
dinheiro não é tudo para americano. Ele tem a perfeita noção de que, não
há investimento que sobreviva se, primeiro, muito antes,
Valores não forem respeitados... Ai esta a diferença entre Our Values e, Nuestros Valores ou, Nossos Valores...
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Sem Fantasias
O Carnaval não passou na TV, aqui em Saratoga Springs. Ainda que passasse, eu não teria visto, posto que, sempre detestei Carnaval. Pode, um dia, ter sido uma festa bonita; honesta nos objetivos que levaram a sua criação. Não discuto a validade da existência do Carnaval, tanto pelo inútil da tarefa, como por ser grave pretensão. Afinal, o povo sempre sofreu muito e, com ou sem Carnaval, continua a sofrer. Então, do ponto de vista prático, isso tanto faz dar na cabeça, como na cabeça dar. Chama-me a atenção, a falta de fantasia na festa de Momo. Falta fantasia para cobrir as - fico acanhado ao escrever palavra tão em desuso - vergonhas das moças e, também, para cobrir a dos rapazes que viraram moças. Sem fantasias a cobri-los, também não haverá fantasias dentro da cabeça dos remanescentes do sexo masculino, na completa acepção da palavra "masculino". O que estará a pensar Chico Buarque ao lembrar de sua canção Noite dos Mascarados? Hoje, ninguém mais perde o namorado devido ao fato de este, ou esta, estar coberto de adereços. Todas as partes do corpo dos foliões, inclusive apêndices e orifícios, estão a descoberto, de forma a evitar contratempos como os narrados por Chico em sua, tao singela, canção. Mas, insisto; sinto falta das fantasias... sem fantasia, não tem graça.
A falta de fantasia, também, assola a TV brasileira de maneira escabrosa. Atos sexuais, consentidos ou não, estão na telinha da Globo e seu BBB. Leio diariamente a Folha. Discutiu-se longamente se uma das participantes havia sido estuprada. Ato promocional, ou não, o estrago foi feito. Outra das damas participantes, nesse mesmo jornal, explicava que havia feito sexo por estar com vontade. Vontades, todos nós compreendemos, acontecem mas, não é lei que devam ser todas confessadas. Alguem dirá, cavalheirescamente a defender a moça, que esta foi sincera. Pode ser. A sinceridade nem sempre a queremos, quando oferecida. Queremo-a, sim, quando necessária. Do contrário, corremos o risco de ser inconvenientes; deselegantes. Se você vai ao banheiro e, quando volta, é indagado de seu paradeiro, sua resposta pode, perfeitamente, parar com a definição do comodo da casa no qual você estava. Não é necessário dizer o que foi fazer lá. No caso da moça, já é deplorável que ela participasse do BBB. Não precisava dizer o que fez e, porque fez. Afinal, para bom entendedor, esta estampado na carinha dela. O programa, trata-se de uma bacanal; é preciso que se chame as coisas pelo nome certo, embora "programa", admito, não seja de todo errado. Se, um dia, essa modalidade de show foi criada com alguma razão mais nobre do que colocar para cruzamento animais da espécie humana, para apreciação de outros animais de espécie indefinida, essa razão esta completamente esquecida. Particularmente, duvido que tal dia tenha existido e, se levanto esta hipótese, é por pura generosidade e, um pouco de calculada inocência. Usei este exemplo do BBB, somente para reclamar, novamente, da ausência de fantasia. Quanto aos participantes, cada um dá o que tem. Mas, voltemos ao nosso ponto: é preciso provocar; atiçar a imaginação das pessoas. É imprescindível preservar a elegância, sugerindo e, não sujando, algo que pode ser belo e delicado, como deve ser a relação de amor entre um homem e uma mulher.
Verifico, com certo pesar, que algumas moças reclamam da falta de romantismo por parte dos rapazes. A queixa é justa. Boa parte dos homens embruteceu a um ponto de difícil retorno. Outro tanto de nossas mulheres, expos-se excessivamente; tenho certeza. Não se trata de, aqui, culpar este ou aquele lado. Afinal, nenhum dos dois tem outra opção e, é imperativo que se conserte o estrago feito. As alternativas atuais, não irão dar em bom porto. Quem já decepou seu apêndice e, quem já remendou alguma abertura, ambos julgados inconvenientes, tem meu silêncio de respeito e pesar, nessa exata ordem. Aos que aqui continuam na batalha, recomendo que voltem ao recato. Não precisa ser aquele tempo no qual os meninos usavam um pedacinho de espêlho na ponta do sapato para ver a lingerie das meninas. Por outro lado, as meninas podem aceitar como definitivo o fato de que já não há mais nada de novo sob o sol e, assim, podem usar um pouco mais de fantasias para despertar a doce ilusão; a fantasia dos meninos; fantasia que, um dia, vestiu tão bem aos casais...Uma vez, disseram-me que a espécie humana é a única que faz amor por prazer e, não, simplesmente para preservação da espécie. Nao conversei com outros animais, mas pode bem ser verdade. Entretanto, a persistir esse nível de grosseria e embrutecimento dos sentimentos, a extinção é uma ameaça real... e nada de valor a lastimar a perda, havera, caso, de fato, venha a suceder em um desses fevereiros de futuro nú e incerto...
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Sempre o mordomo...
Gosto de filmes antigos. Nem todo filme antigo é bom, claro. Refiro-me a aqueles os quais, um dia, causaram impressão a mim e a muita gente. Sobreviveram a críticas, a modas e modos, sendo, então, colocados no pedestal dos incontestáveis portadores de mensagem de singular valor. Admiro a elegância dos personagens e, o respeito a atitudes básicas, muitas das quais, já irremediavelmente esquecidas, como por exemplo, a indispensável delicadeza romântica entre homens e mulheres. Nada de - perdoe a grosseria - rapidinhas. Vestígios do Dia é um destes filmes. Reúne os predicados necessários para ocupar lugar especial entre as obras da 7a. Arte. Confesso, sem nenhum embaraço que, nunca soube quais seriam as outras 6, embora algumas sejam óbvias, tais como a Pintura; a Escultura; a Impunidade; a Subtração (sorrateira) do Alheio ou Punga; a Literatura; a Permanência (a qualquer custo) no Poder e, outros dons divinos ou diabólicos. Se a Política é uma das artes, com certeza enquadra-se no segundo grupo.
O elenco, excelente, inclui Emma Thompson, James Fox, Christopher Reeve, Hugh Grant, Ben Chaplin e, com certeza um dos maiores atores de cinema e teatro, Sir Anthony Hopkins. A trama gira em torno do mordomo Stevens (Hopkins) e - adianto - a questão não envolve culpas por assassinatos, e sim aquelas relativas a infrações cometidas contra si próprio. E, estas são muitas e, severas. Acho uma caceteação contar, e ouvir, enredos de filmes. Não sacrificarei a ninguém, portanto.
Hopkins encarna Stevens, o tradicional mordomo inglês; leal, discreto, eficiente. Dignidade é o mote de sua vida. A personalidade de Stevens, imune a demonstrações de sentimentos, é submetida a uma sucessão de acontecimentos comuns, embora as vezes trágicos, de uma vida ordinária. As oportunidades nas quais a amizade, o amor, a dor, o riso, o choro, a alegria e a tristeza se ofereceram; a todas elas Stevens resistiu e "venceu", sempre norteado pela fidelidade canina a seu lorde e senhor. Para quem assiste, uma sequência de metáforas desenrola-se e, é inevitável não pensar nos caminhos que escolhemos nas encruzilhadas e bifurcações que a vida nos trouxe. Família, ou trabalho? Amor ou carreira? Aventura ou segurança? Fidelidade a si, ou aos outros? Emoções, ou insensibilidade diante da dor e do prazer? Expor-se ou ocultar-se? As respostas parecem fáceis e óbvias mas, não o são. Muitos fatores influenciam na sorte que lançamos a todo instante em nossas vidas. Pessoas, valores, costumes, níveis de consciência e, mesmo, lugares, para citar poucos, entre muitos outros dados que se interpõem entre o sim e o não, ir ou ficar, matar ou morrer, rir ou chorar...
Stevens, quando indagado sobre seu conhecimento sobre determinados fatos relativos a conduta de seu lorde e senhor, apelou a ordem e, explicou que não era parte de suas atribuições registrar o que acontecia a seu redor. Apontou suas limitações, muitas delas auto-impostas como parte da disciplina da profissão de mordomo. Seu pai, também mordomo, como exemplo da necessária discrição, orientara que quando entrasse em uma sala vazia, fizesse com que a sala parecesse mais vazia do que antes. Instado a fazer juizo de valor ainda sobre seu amo, dissimuladamente, admitiu que enganos pudessem ter acontecido mas que, sempre prevaleceu a honestidade nas intenções. Repetiu a exaustão sua crença na dignidade, como sendo o grande valor humano.
Pode parecer tibieza do personagem diante de desafios. Pode também ser consequência da certeza de que a vida nao se resume ao que os olhos vêem, e ao que os sentidos detectam. A eternidade, é uma realidade certa e que lhe pertence. Então, não há razão para ansiedades. O choro de hoje, será o riso de amanhã. Da mesma forma, o amor substituirá o ódio, o sim tomará o lugar do não; é essa a mensagem que, as vezes, Stevens pareceu transmitir com sua granítica impassividade.
Reencontrou a mulher que o amou e que, possivelmente, ele tenha também amado, 20 anos depois. Sob chuva torrencial, debaixo de um guarda-chuva, dela despediu-se, para sempre, com etéreo sorriso e, um digno cumprimento de chapéu. Parecia sereno e certo do rumo e destino que dera a vida...
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Ateu, graças a Deus?
Duas pessoas, importantes para mim, escreveram-me informando que eu sou ateu. Eu não tinha reparado nisso antes e, somente nesta semana percebi que tenho - erradamente - induzido as pessoas a entenderem que não creio em Deus. Não que eu tenha a pretensão de achar que isso preocupe rebanhos e pastores, fiéis e infiéis mas - numa prova cabal de minha fé no Senhor - conseguí ao longo dessa vida, arregimentar um certo número de pessoas que, se não são muitas, me são importantes. Para estas, escrevo. Estou ansioso para explicar, permitam-me, que creio em Deus, sim. Faz muito tempo que tomei emprestado - e nunca devolvi - um pensamento de Einstein que, ajudou-me grandemente a explicar meu voto em Deus. Não é nenhum pensamento desconhecido das pessoas e, foi constantemente divulgado, aparecendo em diversas publicações, desde almanaques de fazendeiros, que as farmácias davam como brinde e vinham junto com remédios populares, passando pelo O Malho, Pasquim, pixações em paredes da cidade e, agora, com toda certeza, aparece nesse muro sem fim de sabedoria popular, ou não, a que chamamos Google. Einstein disse que - reproduzo como posso - não acreditava em um deus que pune as pessoas em um complicado sistema de prêmios e castigos mas, sim, em um Deus que se manifesta no inacreditável e divino ordenamento das coisas do Universo. É, exatamente, nesse Deus em que acredito. Anos mais tarde descobri que Einstein, também ele, havia tomado o pensamento emprestado a um outro judeu igualmente inteligente, Baruch Spinoza. Valia-se, então, Einstein, da sabedoria de Spinoza para defender-se de rabinos que, rábiamente, o atacavam, mais ou menos como em uma versão judia da Santa Inquisição. Mais tarde ainda, eu próprio reduzi para a minha capacidade de entendimento, a sabedoria lançada a luz pelos dois sábios judeus: Comecei a perguntar-me do porque de certas "injustiças" divinas. Preocupações comezinhas, tais como: Porque será, e como será, que Deus escolhe entre ouvir as preces da mãe de um soldado e, não a de outro? É possível complicar a pergunta a "n" possibilidades, como por exemplo: E, porque Ele ouviu a prece de uma boa mãe para salvar um soldado ruim, e não ouviu a prece de uma mãe ruim para salvar um soldado bom? A questão fica definitivamente confusa, quando mães e soldados são todos bons e, somente um deles é escolhido para morrer... Porque deixou o Barcelona ganhar do Santos, perdendo a oportunidade de dar uma lição de humildade ao mundo, fazendo com que o proletário time do alvinegro praiano ganhasse do milionário time do Barcelona? Há um mar de amargas humanas lágrimas, quando a situação envolve crianças. Ai sim, Deus excede em maldades; coisa de - possível fosse- matar o mais abominável dos demônios de inveja! Claro, tudo isso é uma brincadeira, acalmem-se fiéis. Tenho absoluta certeza de que Deus não cuida de paixões humanas. Os gregos inventaram um deus para cada uma delas mas, as paixões humanas evoluíram e, seus deuses não lhes valeram. Em último cavalo de Tróia, os empurraram para os romanos. E, vale-lhes muito menos ainda agora, diante da monumental crise do Euro; não resisto a ironia. Esses deuses, filhos de nossas paixões, vivemos a criá-los em nosso dia-a-dia, ao sabor de nossa conveniencia, disposição ou, simples preguiça. Diga uma palavra errada a uma pessoa e, você criará um demônio. Essa mesma pessoa, no minuto seguinte, sob o efeito da palavra certa a ela dirigida por um outro alguem, se tornará um anjo. É assim que criamos satãs e deidades e os deixamos a perambular pelas ruas das cidades. Um dia, ensandecidos, transformam nossas vidas em inferno. E, ai, pedimos que Deus nos socorra. Valho me do velho e bom Einstein para repetir: tudo é relativo. Deus, com "D" maiúsculo, não é relativo. É absoluto. Enxergar o absoluto, não é tarefa simples.
Então, repito: não sou ateu e nem tampouco agnóstico. Sou, sim, decididamente, contra toda e qualquer religião. Deus, com "D" maiúsculo, une. As religiões, separam, dividem, as pessoas. Sou visceralmente contra livros que definem povos escolhidos de, não escolhidos. Deus não escolhe ninguém, visto que tudo e todos são parte Dele. Como pode você odiar a si próprio; escolher partes de seu "corpo" em detrimento de outras? Deus tem sido, desde sempre, reduzido a "deuses", pelas religiões. Um deus vingativo, que incute medo, que toma partidos, que julga e pune. Não é assim. Deus é bem mais esperto do que isso. Para essas pequenas tarefas de "punir" e "premiar", criou um sistema de escolhas & consequencias e, deixou-nos livres; posto que a liberdade é o maior bem que uma vida tem. Não é necessário que nenhum homem intermedie seu relacionamento com Deus. Não precisamos de papas, rabis, imans, aiatolás, pais-de-santo, santos, nada... Não precisamos de ídolos; Elvis, Lennon, Marley, Satia Sai Baba, ninguém... Não precisamos de grandiosos templos, estas ridículas bajulações de concreto e mármore, onde se reunem pessoas para entrar em contato com Deus, como fosse esse um trouxa qualquer que pudesse ser engambelado com pobres ou ricas oferendas, isso sim, um verdadeiro conto-do-vigário aplicado contra o coitado do Supremo (não o Federal; que ali não há otários)... Por tudo isso, repito, tenho aversão a religiões e, entendo que são elas o último grande atraso a ser sobrepujado. E, será. Com a ajuda de Deus...
sábado, 31 de dezembro de 2011
A Arte da Navegação...
Mais um porto, o 2012, nesse rio de águas rápidas e impossíveis, que não permite que se navegue contra a corrente; o Rio Tempo. No começo, é muito divertido; há quem reme e rume por você... Depois, você acha que é fácil, quer ir sozinho; até mesmo reclama que o Rio é lento... A viagem é bela e, as forças são todas suas... Quer dividir essas belezas com alguém e, a mágica do Rio e suas paisagens, inebriam. Disputa com outros navegantes a capacidade de achar melhores vias e rotas... As corredeiras fazem vítimas ao longo das águas e, quem as vence, aprende e ensina... Há os que chegam ao seu último destino, após vencer todos os redemoinhos e cantos das sereias e, as lembranças são seu maior prêmio. Que aventura! Repetiria tudo outra vez! Outros, suas últimas atracagens não são feitas em destinos felizes; Desengano, Amargura, Solidão... Uns poucos, corrigem a rota e, rumam aos portos da Humildade, do Arrependimento e, do Perdão onde, então, pacificamente, lançam definitivos ferros a águas que não cessam. Mas, há aqueles que permanecem a lutar em águas tristes e impiedosas. Arrebentam-se nas pedras e, soçobrassam em fossas abissais, sem chance de retorno ou socorro... Serão, um dia, dizem os Sábios do Oriente, içados ao porto da Divina Providência... Pode parecer navegação de cabotagem mas, requer capitães de longo curso... Feliz Ano Novo!
domingo, 4 de dezembro de 2011
Sócrates e Compay Segundo
Morreu Sócrates. Sempre que ocorre uma morte, surge uma oportunidade para meditar sobre o sentido da vida. Especialmente, nas contradições nas quais, caprichosamente, esta nos envolve. Sócrates, como todos sabem, era médico; pediatra. Especializou-se em um ramo da medicina cuja função é preservar a vida de crianças. Suicidou-se lentamente, usando como meio de extinguir-se, hábitos perniciosos a sua clientela; o fumo e o álcool. O que leva um homem dono de portentosa inteligência e dons naturais, a auto-mutilar-se e impor-se morte certa e degradante? O leque de possíveis respostas pode se originar na alta fonte dos pensadores e filósofos alemães e gregos, na fluida mas insofismável doutrina budista ou, em botequins brasileiros onde Sócrates, com certeza, matou, afogados, muitos destes questionamentos. É possível que não haja uma só resposta e que, entre elas esteja o simples desencanto com a vida. A certeza de que tudo que aí esta, é uma repetição do capítulo de ontem - vide Salomão - e, assim, não vale a pena esperar o capítulo de amanhã. Sobre isso, cada um tem o direito de arguir o que melhor entender, porém, não tenha a ilusão de que seu argumento venha, de hoje em diante, mudar a compreensão da vida pelas pessoas, para sempre... As perguntas irão se repetir. A resposta, por mais verdadeira seja, não tem o poder de evitar que a pergunta volte a ser formulada no futuro, por diferentes pessoas. É da vida que as lições sejam aprendidas individualmente; daí a nossa eterna solidão, irmã gêmea da liberdade.
Fernando Henrique acaba de ter uma de suas frases incluídas entre as 10 maiores besteiras de todos os tempos; "Não vamos prometer o que não dá para fazer. Não é para transformar todo mundo em rico. Nem sei se vale a pena, porque a vida de rico, em geral, é muito chata". Parece-me lembrar de que ele tenha, realmente, feito esta declaração. Isto não importa; minha lembrança ou, não, é irrelevante. Aconteceu de ontem, antes da morte de Sócrates, eu estar escarafunchando o Youtube procurando por músicas cubanas, mais exatamente de Compay Segundo. Todo mundo que aprecia boa música, conhece o Buena Vista Social Club. Sabemos, há muitos outros, Pablo Milanés, por exemplo, entre os grandes músicos cubanos. Mas, fiquemos em Compay Segundo, um monstro no mundo musical, tendo, mesmo, inventado um outro modelo de violão, já que o original como o conhecemos, não era capaz de reproduzir a genialidade de sua música. A alegria estampada no rosto de Compay, vem da alma. É tocante vê-lo fazer apresentações em palcos cubanos de dolorosa pobreza. A falta de tudo, é gritante; desde simples bancos para os músicos, até, modestos que fossem, aparelhos de som e iluminação. A alegria que vem da alma de Compay, supre todas as ausências materiais. Uma vez, Compay disse que iria viver até os 115 anos. Não houve acordo. Foi obrigado a cumprir um contrato, ao qual ele não assinou, e mudou de endereço, já em seus 96 anos, indo apresentar-se em outras paragens. Compay atribuía sua longevidade a uma certa alimentação a base de carne de carneiro e, a boa qualidade do rum cubano, a qual eu, humildemente, endosso. Não como carne de ovelha, salvo depois de 12 doses de rum cubano. Sócrates, rico, bem formado, e seu apego-escravidão ao inferno da bebida e, a alegria de Compay vivendo e vencendo em meio a misérias de toda ordem, levam-me a crer que FHC não está de todo errado em sua declaração, o que reduz em muito a posição de sua frase no ranking das maiores bobagens já ditas. Arrisco sugerir que ele troque o radicalismo de "em geral" por "as vezes". Ou então, vamos admitir de vez que, o mundo é composto, em sua quase totalidade, de idiotas, já que essa mesma totalidade busca uma maneira de tornar-se rica e, materialmente provida. Prefiro ficar com duas frases terrivelmente corretas: Dinheiro não é tudo mas, é 100% (Falcão). "O caminho certo não é o da esquerda e nem o da direita mas, o do meio" (Buda). Enchamos o copo mas, vamos esvaziá-lo com vagar; saboreando, sem engasgar e, pagando pelo que se bebe.
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